Nunca um poeta conseguiu fazer um poema com tanto sentido.
Cheguei a um ponto da minha vida em que não consigo materializar através de palavras aquilo que quero, mas simultaneamente tenho a mais perfeita consciência daquilo que não quero.
Não quero mais "one-night stands", não quero mais convites para cafés a horas impróprias. Não quero mais promessas, não quero mais ilusões. Não quero mais amizades convenientes, não quero sentir-me acompanhada sem o estar, apoiada sem o ser.
Não quero mais gritos, choros, palavras amargas, pedidos de desculpa. Não quero mais sonhos repetidos, esperanças desfeitas.
Não quero mais medos, mais dúvidas, mais inconstâncias, mais "talvez". Não quero mais sentimentos vagos, emoções distantes, sorrisos desprendidos.
Não quero mais arrependimentos, lamentos. Não quero mais perguntas sem respostas, noites em branco, dias cinzentos.
Não quero mais nada disto. E vai saber MESMO bem.
(...)
"Que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "Vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
José Régio | Cântico Negro
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