Ando em arrumações lá em casa. Isso implica 25 anos de história amontoado em gavetas e armários.
Ontem, durante essa incursão a um saudoso passado, encontrei uma relíquia esquecida - uma caixinha com os bilhetinhos de "amor" que inocentemente trocávamos na escola primária.
Encontrei um que me despertou particular atenção. Portanto, consiste num pedido de namoro endereçado a mim, simples e directo, consubstanciado na interrogação "Queres namorar comigo?", em que as opções de resposta são as seguintes:
- Sim (quadradinho para colocar uma cruzinha)
- Não (quadradinho para colocar uma cruzinha)
- Agora tenho outro namorado, mas quando acabar com ele namoro contigo (quadradinho para colocar uma cruzinha)
Não só me surpreendeu a última hipótese de resposta, como me indignou o facto de ter sido a opção que eu própria escolhi. Parto do princípio que devo ter comunicado a minha resposta ao proponente e por alguma razão que desconheço, fui eu que fiquei com o papelinho da proposta.
Não creio ter havido choros, mágoas, tristezas ou olhares desiludidos. Não me parece que nos meses posteriores à proposta tenha tentado evitar o meu potencial apaixonado, ou que tenha feito de conta que nada se passou. De facto, para nós, nada se passou.
Certamente eu continuei a dar uns beijinhos às escondidas àquele que era o meu namorado na altura e o meu apaixonado certamente enviou o mesmo bilhetinho a outra rapariga que, muito menos promíscua que eu, colocou a cruzinha no "Sim".
E assim continou a nossa vida. Leve, despreocupada, feliz.
O que mudou entretanto?

