26 de janeiro de 2009

Os locais onde se escreve a felicidade

Acho piada cada vez que o Malato pergunta às pessoas de onde são.
Elas lá respondem "Carrazeda de Ansiães", e ele, invariavelmente, retorque "Ahhh... já fui tão feliz em Carrazeda de Ansiães".

Carrazeda de Ansiães não é um deles, mas eu própria descobri que também já fui feliz numa série de locais.
Ora só assim por alto, já fui feliz...

- Em Lagos (as férias da minha vida... 4 anos seguidos)
- Em Sagres (a Praia do Martinhal completamente vazia)
- No Crato (dormir a 3 numa autocaravana, com um dilúvio lá fora)
- Em Sesimbra (os pastéis de nata do Sr. Tomé)
- Na Ericeira (demasiadas vezes para escolher apenas uma)
- Em Sintra (os travesseiros quentes da Piriquita)
- Em Badajoz (a road trip com a minha cotinha, a.k.a. mãe)
- Em Oeiras (a casa da Dani... tantas vezes... demasiadas vezes)
- Em Massamá (as noites de poker, martini e guitarra)
- No Tagus Park (baah, descobri que já fui feliz no meu trabalho)
- Em Carcavelos (as tardes de surf até o sol desaparecer no horizonte)
- Na Quinta do Conde (os jantares em casa do Greg)
- Em Góis (o fim-de-semana aventura)
- Em S. Pedro de Moel (o banco azul)
- Em Aveiro (a convenção Manz... 4 bitches on the road!)
- Em Ibiza (a rambóia total)
- Na Arrábida (iludida, muito iludida, mas feliz).

Curiosamente, nunca tive a percepção que estava a ser feliz em qualquer um destes locais. 
É sempre preciso parar e olhar para trás para percebermos o quão feliz já fomos. É como se a felicidade fosse escrita sempre no passado e nunca no presente.

É por isso que quando me perguntam se sou feliz, eu respondo: "Já fui." 

16 de janeiro de 2009

AIDA


No princípio de Abril, o espectáculo Aida estará em cena no Coliseu dos Recreios, produzido pela Grande Ópera de Kazan. 

Question:
Existirá por esse mundo fora algum ser vivo, preferencialmente humano e sem obsessões por sangue e/ ou objectos metálicos cortantes, que me queira acompanhar?! (sim, tenho amigos... mas eles acham que ópera é para alienados com mais de 40 anos, óculos fundo de garrafa e pullovers aos losangos...)

14 de janeiro de 2009

Às vezes alimento-me disto


Às vezes alimento-me de coisas que levam outras pessoas a tecer a seguinte consideração: "És estranha...".
Não concordo. Não por causa do que como. Quem é que nunca comeu...

- Cerelac com grumos do tamanho de bolas de golfe;
- Tulicreme de cacau à colherada;
- Ovos estrelados enfiados na boca de uma só vez;
- Leite condensado com chocolate em pó;
- Bacalhau cozido com arroz, bem como salmão grelhado com arroz e arroz com atum;
- Bolo-rei aquecido na torradeira, barrado com manteiga mas sem as frutas cristalizadas; 
- Frango assado com iogurtes de aromas do Pingo Doce, na Praia Grande;
- Caracoletas assadas com muco. Quanto mais muco melhor. 

OK, concordo que a última pode soar estranha, mas quem nunca teve um devaneio culinário que atire... o primeiro comment. 

12 de janeiro de 2009

Sei que não vou por aí

Nunca um poeta conseguiu fazer um poema com tanto sentido.

Cheguei a um ponto da minha vida em que não consigo materializar através de palavras aquilo que quero, mas simultaneamente tenho a mais perfeita consciência daquilo que não quero.

Não quero mais "one-night stands", não quero mais convites para cafés a horas impróprias. Não quero mais promessas, não quero mais ilusões. Não quero mais amizades convenientes, não quero sentir-me acompanhada sem o estar, apoiada sem o ser.

Não quero mais gritos, choros, palavras amargas, pedidos de desculpa. Não quero mais sonhos repetidos, esperanças desfeitas.

Não quero mais medos, mais dúvidas, mais inconstâncias, mais "talvez". Não quero mais sentimentos vagos, emoções distantes, sorrisos desprendidos.

Não quero mais arrependimentos, lamentos. Não quero mais perguntas sem respostas, noites em branco, dias cinzentos. 

Não quero mais nada disto. E vai saber MESMO bem.

(...)
"Que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "Vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

José Régio | Cântico Negro

9 de janeiro de 2009

Meet David


O David é o gajo do foto. Eu sou a gaja, naturalmente.

Aqui no trabalho o pessoal partilha tudo. Especialmente comida.
Recuemos dois dias. O David tem um pacote de bolinhos com recheio de chocolate na mão e eu tenho fome.
Eu: "Puto, atira aí um bolinho." (note-se que o David é o meu vizinho da secretária da frente. Chamo-lhe "puto" para o chatear, visto que temos praticamente a mesma idade).
David: "Comes?" (e tira um bolinho do pacote).
Eu: "Como!" (e penso..."Duh, foi para isso que te pedi o bolo...").
David: "Ah... Queria dizer, apanhas?" (coitadinho... é estagiário, tem a cabecinha baralhada. É normal.)
Eu: "Apanho. Como e apanho.".

E no mesmo nano-segundo, o interruptor de ordinarice dos nossos cérebros ligou-se. Soltámos os dois uma gargalhada estrondosa, rimos até às lágrimas. Uma gargalhada perfeita, em uníssono, parecia apenas uma.
Não sei porquê, mas esse momento just made my day. Pequenas coisas, pequenos nadas. É disto que a felicidade é feita. Momentos.

8 de janeiro de 2009

A culpa é da Nitinha

Criei um blog. A culpa é da Nitinha. Quem é a Nitinha? Explicarei mais tarde aos interessados. A própria sabe quem é. 

Alturas houve em que escrevia muito. Era uma forma de me assumir como intelectualóide e de acalmar a minha inquietude. Depois o desassossego passou, achei que tudo era simples, uma linha recta, e escrever passou a ser conjugado no pretérito imperfeito.

Entretanto o desassossego voltou, diferente pois claro, porque tudo é moldável, mutável. E com ele voltou também a vontade de escrever. Assim seja, então. Faço desta uma das resoluções para 2009.